sexta-feira, 18 de março de 2011

Desaguando no outro

Este poema de Ronald Claver é tão lindo que dói. E é proibido desconhecê-lo, porque tudo que é belo deve ser oferecido como alimento, para enriquecer a vida.

Quem ama vai entender...


Nascendo com São Francisco

Ele nunca entendeu como aquela
Agüinha de nada que nascia aqui e ali
Numas mirradas minas e bicas no alto da Serra
Da Canastra
Poderia virar um São Francisco.
Como aquela agüinha que cabia em suas mãos
Iria um dia virar mar?
E em Pirapora, São Romão tornar-se imemorial,
Intenso?
É como o amor, pensou.
Começa num desaviso,
Num não querer querendo
Num começar crescendo
Até assumir a sua forma definitiva e corpórea
Aí já estamos imensos
E desaguamos no outro o nosso tanto.


Mais sobre Ronald Claver:


2 comentários:

  1. Lindo, Laura, como disse merece ser partilhado. Beijos!

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  2. Olá Laura!
    Lendo um poema assim, é impossível não sentir uma pontinha de inveja (inveja boa) de alguém que tem a capacidade de expressar em palavras essa visão do amor.
    Valeu a pena chegar aqui hoje, como valeu!
    Bjks

    ResponderExcluir

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