sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Transgredir é necessário

Ando lendo um livro instigante, que está fazendo cócegas em minhas ideias. Chama-se A alma imoral, do rabino Nilton Bonder. Como se não bastassem as qualidades da obra em si, ela ficou muito conhecida por ter dado origem a um monólogo da atriz e dramaturga Clarice Niskier, que a adaptou para o teatro. Diz o site da peça: "A alma imoral desconstrói e reconstrói conceitos milenares da história da civilização. Conceitos de corpo e alma, certo e errado, traidor e traído, obediência e desobediência". Um livro genial. 

Dele, transcrevo um texto que é meu presente de fim de ano para os amigos deste blog. Que estas palavras impressionem nossa alma e alavanquem nossas promessas de mudanças. 

"O rabi Elimelech certa vez perguntou a seus discípulos: 'Sabem qual é a distância entre o Ocidente e o Oriente?' Diante do silêncio, o rabino prosseguiu: 'Uma simples volta'. 

Transgredir é um processo, e o momento em que nos voltamos para outra direção marca um novo segmento de nossas histórias individuais e coletivas. O corpo e sua moral, por sua vez, percebem esse ato como uma 'desorientação'. No entanto, transgredir é necessário. 

O rabi Bunan (Buber, Late Masters, p. 257) adverte que os 'pecados' que um indivíduo comete não são o pior crime realizado por ele. O verdadeiro grande crime do ser humano é que ele pode dar-se 'uma simples volta' a qualquer momento, mas não o faz. 

Para o rabi Bunan, o problema não é o tempo perdido ou as sandices cometidas no passado, mas o momento de agora, que é uma oportunidade não aproveitada para mudar o curso. Duas coisas ficam comprometidas pela ausência de transgressão: a qualidade de vida e a possibilidade de continuidade. 

A qualidade da vida coletiva é prejudicada cada vez que um indivíduo não exerce todo seu potencial transgressivo. A vida poderia ser melhor, produzir maior satisfação, mas os indivíduos se abstêm de seus direitos e com isso afetam o direito de todos. (...) 

Aquele que não faz uso de todo o potencial de sua vida, de alguma maneira diminui o potencial de todos os demais. Se fôssemos todos mais corajosos e temêssemos menos a possibilidade de sermos perversos, este seria um mundo de menos interdições (...)" 


Que não tenhamos medo da momentânea desorientação e da desarrumação interna que toda transformação provoca. O mundo precisa de mudanças. 

Feliz 2011, galera!

Um comentário:

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