sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Desejo coragem!

Quero compartilhar com vocês a mensagem de Ano Novo que recebi hoje, da Alcione. É pertinente e bela. A imagem também foi enviada por ela, contendo a inspirada capa do CD Geraes, do Milton Nascimento, com um trecho de Guimarães Rosa, do livro Grande sertão, veredas, que de fato merecia ser lembrado.






A todos vocês e a cada um de vocês, extensivo a quem vocês querem bem;
a todos vocês parceiros na caminhada em prol do ideal de crescimento e transformaçao interna, 
desejo CORAGEM!
Coragem de perseverar, de fazer de novo, de fazer o novo, de sonhar e ser mais feliz pagando com boa vontade os preços necessários e acreditando que o preço ficará cada dia menor
pois um ser emancipado contribui sem dúvida para um mundo melhor!

Carinhos e obrigada pela sua confiança.

Sigamos juntos!

Alcione Albuquerque


sábado, 25 de dezembro de 2010

Receita de Ano Novo

Ano após ano leio este poema de Drummond em meados de dezembro, fim de dezembro... Não me canso nunca, que se impregnar de coisas belas não cansa, e aprender também é infinito.


Degustem...



Ano Novo é um livro escrito página por página
Receita de ano novo
 


Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 

Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumadas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 
 

Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.


Carlos Drummond de Andrade (comprovadamente autêntico!)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Você acredita em Natal?

Não, não errei a pergunta. Não tenho curiosidade de saber se você acredita em Papai Noel ou no nascimento de Jesus. Quero saber se você acredita no Natal. 



Pois ele pode se expressar das mais diversas formas: é multifacetado! Pode se fazer presente na crença no nascimento do Menino; na esperença de que os desejos mais recônditos um dia se transformem em realidade; na vontade de doar, de se doar; na ânsia de receber, para preencher os vazios; na alegria das trocas de carinho, de presentes, de beijos, de votos. Natal pode ser expressão dos nossos melhores dons e talentos. E por que todas essas coisas não poderiam estar presentes cotidianamente, e não apenas em dezembro, na data certa

Natal como um jeito de ser, como um autêntico way of life... Que tal? 

Mas euzinha gosto de celebrar mesmo é o nascimento de Jesus Cristo, com tudo que isso significa. Jesus Cristo é farol para meus passos neste mundo de atitudes tão vacilantes. É referência de comportamento ético e amoroso. É guia para o desenvolvimento de minha inteligência lógica, emocional e espiritual. 



Eu acredito no Natal, acredito em Papai Noel, acredito nos bons sentimentos e nas boas intenções. Ninguém precisa deixar de ser humano para acreditar no melhor do ser humano! E ser melhor é constante exercício, empreendido com esforço por quem acredita nisso. 



Portanto, meus desejos de um feliz Natal para todos, de qualquer religião, para os que não têm religião e também para os que não creem em Deus. Porque, para celebrar o Natal, basta crer no amor. 



Fiquem com um trecho de Frei Betto:


"Neste Natal, rogo a Deus ressuscitar a criança escondida em algum recanto de minha memória, a que um dia fui, menino que sabia confiar e, desprovido do pudor do ócio, livre das agruras do tempo, era capaz de imprimir fantasias coloridas ao lado obscuro da vida.
Quero um Natal de brindes à alegria de viver, hinos à gratidão da fé, odes à inefável magia da amizade. Natal cujo presépio seja o meu próprio coração, no qual o Menino Jesus desfaça laços e faça desabrochar todo o amor que se oculta nos sombrios porões do meu ego."


Link para um belo texto do psicanalista Contardo Calligaris sobre Papai Noel:

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Transgredir é necessário

Ando lendo um livro instigante, que está fazendo cócegas em minhas ideias. Chama-se A alma imoral, do rabino Nilton Bonder. Como se não bastassem as qualidades da obra em si, ela ficou muito conhecida por ter dado origem a um monólogo da atriz e dramaturga Clarice Niskier, que a adaptou para o teatro. Diz o site da peça: "A alma imoral desconstrói e reconstrói conceitos milenares da história da civilização. Conceitos de corpo e alma, certo e errado, traidor e traído, obediência e desobediência". Um livro genial. 

Dele, transcrevo um texto que é meu presente de fim de ano para os amigos deste blog. Que estas palavras impressionem nossa alma e alavanquem nossas promessas de mudanças. 

"O rabi Elimelech certa vez perguntou a seus discípulos: 'Sabem qual é a distância entre o Ocidente e o Oriente?' Diante do silêncio, o rabino prosseguiu: 'Uma simples volta'. 

Transgredir é um processo, e o momento em que nos voltamos para outra direção marca um novo segmento de nossas histórias individuais e coletivas. O corpo e sua moral, por sua vez, percebem esse ato como uma 'desorientação'. No entanto, transgredir é necessário. 

O rabi Bunan (Buber, Late Masters, p. 257) adverte que os 'pecados' que um indivíduo comete não são o pior crime realizado por ele. O verdadeiro grande crime do ser humano é que ele pode dar-se 'uma simples volta' a qualquer momento, mas não o faz. 

Para o rabi Bunan, o problema não é o tempo perdido ou as sandices cometidas no passado, mas o momento de agora, que é uma oportunidade não aproveitada para mudar o curso. Duas coisas ficam comprometidas pela ausência de transgressão: a qualidade de vida e a possibilidade de continuidade. 

A qualidade da vida coletiva é prejudicada cada vez que um indivíduo não exerce todo seu potencial transgressivo. A vida poderia ser melhor, produzir maior satisfação, mas os indivíduos se abstêm de seus direitos e com isso afetam o direito de todos. (...) 

Aquele que não faz uso de todo o potencial de sua vida, de alguma maneira diminui o potencial de todos os demais. Se fôssemos todos mais corajosos e temêssemos menos a possibilidade de sermos perversos, este seria um mundo de menos interdições (...)" 


Que não tenhamos medo da momentânea desorientação e da desarrumação interna que toda transformação provoca. O mundo precisa de mudanças. 

Feliz 2011, galera!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Tour pela inclusão


Neste sábado, dia 4/12, aconteceu uma experiência muito válida em SP. Um grupo de pessoas com e sem deficiência percorreu um trecho da cidade de cadeira de rodas e olhos vendados, a fim de conhecer os desafios pelos quais passam os cadeirantes e os cegos no dia a dia.

O trajeto incluiu viagem de metrô, ônibus e táxi do Parque da Luz até a Av. Paulista.

Compartilho com vcs, pois a reportagem que saiu na TV está muito boa. É claro que há grandes dificuldades que não foram mostradas, como, por exemplo, encontrar um banheiro em que a cadeira de rodas passe pela porta. 

Não é todo mundo que para pra pensar em como se vira uma pessoa quando tem vontade de ir ao banheiro e a cadeira não entra... Isso aconteceu comigo ontem, em um evento no salão da sede campestre do Cruzeiro Esporte Clube, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Nenhum banheiro adaptado, nem mesmo um em que pelo menos a porta fosse um pouco mais larga e desse passagem a uma cadeira de rodas!

A gente torce para que as coisas continuem mudando e um dia não precisemos mais passar por essa situação. Espero que esse dia chegue logo, contando com os protestos das pessoas com deficiência e a solidariedade das demais. Solidariedade inteligente, porque, afinal, qualquer um pode enfrentar uma deficiência a qualquer momento, permanente ou temporária, vindo a necessitar de coisas muito simples como um banheiro com a porta mais larga...





sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Adeus ano velho

Fim de ano, momento de balanços e planejamentos. Angústias de uns, porque não foi possível cumprir o que haviam definido como meta; alegria de outros, porque o ano foi um sucesso. Indiferença de muitos, ainda perdidos no rio da vida, eternamente seguindo a corrente que leva sabe-se lá para onde... 

Diante desse final de ciclo, também eu estou predisposta a avaliar o ano e refletir sobre minhas atitudes, meus comportamentos, minha passividade diante de certas circunstâncias que me despertam o medo e a insegurança, minha ansiedade evocada pelas situações que fogem ao meu controle. Também eu estou pronta não a fazer lista de boas intenções para depois arquivá-las numa gaveta, como diria Drummond. Mas a planejar a próxima etapa, de forma a organizar os pensamentos, as ideias, concentrar as energias e não desperdiçar oportunidades. Melhor ainda: observar o fluxo da minha vida, meus desejos, as circunstâncias e decidir com base nas possibilidades que se apresentam, assim como respeitando as intuições, o feeling... 

Dito isso, diante dos 11 meses que se passaram, sou honesta com a vida. Preciso fazer a ela um agradecimento. É claro que desejos não me faltam; entusiasmo sobra. Quero crescer cada vez mais, há muito espaço em mim para preencher de beleza. E, como disse Adélia Prado, para o desejo do meu coração o mar é uma gota

Porém, independentemente disso, sou profundamente grata à vida por todas as experiências que invadiram meu ano de 2010. Perdas, amor, surpresas, atritos, afeições, novas pessoas, velhas pessoas renovadas, sensações, poesia, amparo do Alto, confiança, desapego. A vida entrou em meus poros de todas as formas e hoje cheguei à conclusão, conversando com Alcione, de que não preciso de nada. Tudo, agora, é acréscimo de misericórdia. 

Não, não sou rica (pelo menos não de dinheiro), tenho inúmeros problemas de saúde e enfrento dezenas de desafios todas as semanas. Mesmo assim, permitam-me ser grata. Tudo que vivo faz de mim a pessoa que sou. 

Compartilho com vcs dois belos poemas que me seguem faz anos, mas que só agora tomam, para mim, pleno sentido, porque não me falam só ao intelecto. Estão inscritos em mim como tatuagem.



“E então eu peço... pela minha simplicidade. 
E agradeço ao vento que faz dançar minhas cortinas.
E ao tempo que me permite existir neste exato momento.
Peço que nunca lamente o que podia ter e que se perdeu por caminhos errados, e agradeço pelas minhas coisas humildes, minha casa pobre, a chuva no telhado, o feixe de lenha sob o fogão de taipa, que acende durante a noite o fogo alegre da minha casa…”
(Desconheço a autoria)

Um quase nada basta

Quão belo e fácil construir ventura,
Fruir da existência encantos e alegria!
Basta, na vida caseira, dia a dia,
Recolher o prazer de cada conjuntura,
Sem loucas ambições nem vã filosofia.

Eis tudo (… e é quase nada!):
Dispor de uma sala aconchegada
E o conforto da cadeira, ao lado do fogão;
À nossa frente, uma hora de lazer
E, mesmo ali, à mão,
Esse livro tão lindo, que adoramos ler.

Não será isso bastante?
Olha, assomando à janela, essa nesga de beleza:
O canto do relvado, ervinhas, um ramo verdejante.
O passadio sóbrio, pedido à natureza:
Ovos, fruta, leite fresco, umas torradas
Com a xícara de chá. E, reservadas
Pra o inverno, umas peças de agasalho,
Botas fortes, de arrostar com o temporal,
A velha arca, provida de bragal,
E um modesto leito ao termo do trabalho.

Alguém ousaria pedir mais?
Vem relembrar, Senhor, essa arte tão esquecida,
— O jeito de tirar satisfação da vida —
Mesmo ao mais indigente dos mortais:
O cobiçado dom de grandes e pequenos,
De saber desfrutar as coisas de somenos
E amar os prazeres simples e banais.
(Escrito por monges portugueses. Ficarei devendo o nome do livro onde encontrei este belo poema.)
Atualização em 31/12/2010: Extraído do livro Luz para hoje. Editorial Franciscana. Tradução de A. Vaz Mota do inglês Light for today. Sem menção de autoria.



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