segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Buscando inspiração em Gandhi

Desde adolescente Gandhi me inspira com seus gestos e palavras. Especialmente nos momentos mais desafiadores, quando não me encontro fortalecida o bastante para defender os ideais em que acredito.


Não raras vezes, também falei de Gandhi para evocar novamente o brilho nos olhos de pessoas que lutavam por algum ideal, mas se encontravam desanimadas diante de caminhos que se apresentavam ásperos.


Em certos momentos, olho para a frente e vejo uma longa estrada que deve ser percorrida passo a passo, em um ritmo que nem sempre me agrada, porque aos meus olhos parece lento. E é só quando dou mais um passo que vejo o local em que pisarei no momento seguinte. Em outras ocasiões, me aborreço com resistências que outras pessoas impõem, por sua imaturidade e também por muitas outras razões.


Esta semana Gandhi voltou a me fazer companhia, sussurrando em meus ouvidos palavras de incentivo. Revejo cena a cena o incomparável filme sobre sua vida, magistralmente dirigido por Richard Attenborough e interpretado por Ben Kingsley. Cena a cena, o altivo rapaz que foi para a Inglaterra estudar direito e, ao retornar, resolve trabalhar na África do Sul -- em uma época em que hindus não podiam andar na mesma calçada que cristãos, sob o risco de serem atirados à sarjeta --, vai cedendo lugar a um homem firme, ponderado, compassivo, que vê todas as pessoas como filhas do mesmo Pai. Portanto, merecedoras de igual respeito e das mesmas oportunidades.


Também volta a me acompanhar o livro A magia dos gestos poéticos, escrito por Rubem Alves, como se ele fosse médium de Gandhi. Merece ser lido pela poesia e pela visão que o ilustre escritor, teólogo, educador e psicanalista tem daquele que foi principalmente um grande educador -- de uma nação.


É nesse livro que leio o seguinte trecho, que "registra" reflexões do grande líder político e espiritual da Índia, em um momento crítico, quando massacres aconteciam no país, envolvendo muçulmanos e hindus. São frases que me recordam que o ideal move a vida. Compartilho essa lindeza com vcs, mas especialmente com meus companheirinhos da Diretoria da Casa de Everilda. Que estas palavras possam nos inspirar cotidianamente.


"Voltei a fazer o que eu sempre fizera. Gestos que trouxessem de volta a mansidão...
Fui andar pelas aldeias. Levantava-me às 4 horas da manhã. Conversava e rezava. Acolhia em meus momentos de prece tanto hindus quanto muçulmanos, ou pessoas de quaisquer outras religiões que assim o desejassem. Lia os seus textos sagrados. Eu sabia que a divindade se revela em muitos lugares diferentes... (...) Sei muito bem que aquilo que eu fazia estava longe do realismo político. Eu desejava resultados, é claro. Mas, mesmo que eu soubesse que tudo seria inútil, teria feito as mesmas coisas. Há gestos que não podem ser evitados. Eles brotam do fundo, como se fossem o perfume de uma flor. Era assim que eu sentia aquilo que estava fazendo. Meus gestos não eram métodos para atingir um objetivo. Eram partes do meu próprio ser. Eles não surgiam de uma análise realista da situação. Ao contrário, eu me punha a escutar a minha voz interior, e aquilo que ela dissesse eu tomava como profecia. E assim fui, encontrando forças e esperanças em pequenos sinais de bondade que surgiam aqui e ali, quando hindus e muçulmanos se arrependiam e reencontravam o caminho da amizade."


A magia dos gestos poéticos, Rubem Alves, pp. 108, 109


Tenho esperanças de que chegará o dia em que nossos gestos em busca de um mundo melhor e mais justo serão parte de nosso próprio ser... E serão tão fáceis como respirar.




Atualização em 23/11/2010:


Encontre ótimos textos sobre A atualidade do pensamento gandhiano na página preparada pela Associação Palas Athena:
http://www.comitepaz.org.br/Pensar_Gandhi.htm


Mais textos sobre a construção de uma cultura de paz em:
http://www.comitepaz.org.br/mapa_do_site.htm



2 comentários:

  1. Ei, Laurinha.
    Adorei o texto, especialmente porque Gandhi me inspira também...
    Vou ler o livro indicado por você.

    Abraços!

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  2. Laura,
    Adorei, precisamos mesmo destes incentivos para fortalecer a nossa caminhada.

    Helena

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