sábado, 3 de julho de 2010

Viveiro de estrelas

E, por falar em brilho no olho, tenho a felicidade de conviver com pessoas que cintilam. Há uns anos, fiz este poema para um grande amigo, que sempre me encantou, entre outras coisas, pelo olhar.

Compartilho com vocês.

***


Pára um pouco e olha o céu, ser da Terra.
Verás pontinhos como faíscas.
Não te cansarás de olhar esse espaço
onde os anjos derramaram purpurina
– anjos que brincam de esconde-esconde
e às vezes esbarram nas coisas de Deus.

Sabias, pequeno anjo, que também há estrelas na Terra?
É que alguns anjos mais arteiros
deixaram respingar nestas paragens
material de trabalho do Criador:
uma substância brilhante
incandescente (mas que, curiosamente, não queima, só aquece!)
cintilante, reluzente
qual chuva de lantejoulas de variada cor.
(Muitas algumas cores)

Sabes, pequeno, onde foi parar essa matéria que cintila?
Os anjos procuraram, sem parar
E sua natureza diáfana e luzidia
luziu ainda mais
rebrilhou
quando, alados, céleres, descobriram
onde fora parar
o produto do roubo do laboratório de Deus.

É que, de súbito, algo brilhou
como diamante que se encontra escondido no solo.
Escondeu-se; novamente cintilou…
Um anjo matreiro observou com perspicácia:
era num humano olhar que esse espelho luzia
era num humano olhar que lantejoulas
coloridas
encontraram lugar propício para se instalar.

O anjo observou mais:
nem todos os olhares luziam…
Por que seria?
Foi um anjo cantor que descobriu,
porque seu ouvido sensível “escutou” uma música que partia dos olhares diamantinos.

Ah!… é que naqueles olhares havia algo inusitado
havia um ser que passeava nos jardins do olho – janela da alma.
Meu Deus! Era ela que passava…
Agora era possível ver por que as lantejoulas escolheram morar naqueles olhares.
Eles eram povoados pela alma
que vinha passear a cada tarde
no  cálido jardim do humano ser
divino em cada porto.





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