sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Desejo coragem!

Quero compartilhar com vocês a mensagem de Ano Novo que recebi hoje, da Alcione. É pertinente e bela. A imagem também foi enviada por ela, contendo a inspirada capa do CD Geraes, do Milton Nascimento, com um trecho de Guimarães Rosa, do livro Grande sertão, veredas, que de fato merecia ser lembrado.






A todos vocês e a cada um de vocês, extensivo a quem vocês querem bem;
a todos vocês parceiros na caminhada em prol do ideal de crescimento e transformaçao interna, 
desejo CORAGEM!
Coragem de perseverar, de fazer de novo, de fazer o novo, de sonhar e ser mais feliz pagando com boa vontade os preços necessários e acreditando que o preço ficará cada dia menor
pois um ser emancipado contribui sem dúvida para um mundo melhor!

Carinhos e obrigada pela sua confiança.

Sigamos juntos!

Alcione Albuquerque


sábado, 25 de dezembro de 2010

Receita de Ano Novo

Ano após ano leio este poema de Drummond em meados de dezembro, fim de dezembro... Não me canso nunca, que se impregnar de coisas belas não cansa, e aprender também é infinito.


Degustem...



Ano Novo é um livro escrito página por página
Receita de ano novo
 


Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 

Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumadas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 
 

Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.


Carlos Drummond de Andrade (comprovadamente autêntico!)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Você acredita em Natal?

Não, não errei a pergunta. Não tenho curiosidade de saber se você acredita em Papai Noel ou no nascimento de Jesus. Quero saber se você acredita no Natal. 



Pois ele pode se expressar das mais diversas formas: é multifacetado! Pode se fazer presente na crença no nascimento do Menino; na esperença de que os desejos mais recônditos um dia se transformem em realidade; na vontade de doar, de se doar; na ânsia de receber, para preencher os vazios; na alegria das trocas de carinho, de presentes, de beijos, de votos. Natal pode ser expressão dos nossos melhores dons e talentos. E por que todas essas coisas não poderiam estar presentes cotidianamente, e não apenas em dezembro, na data certa

Natal como um jeito de ser, como um autêntico way of life... Que tal? 

Mas euzinha gosto de celebrar mesmo é o nascimento de Jesus Cristo, com tudo que isso significa. Jesus Cristo é farol para meus passos neste mundo de atitudes tão vacilantes. É referência de comportamento ético e amoroso. É guia para o desenvolvimento de minha inteligência lógica, emocional e espiritual. 



Eu acredito no Natal, acredito em Papai Noel, acredito nos bons sentimentos e nas boas intenções. Ninguém precisa deixar de ser humano para acreditar no melhor do ser humano! E ser melhor é constante exercício, empreendido com esforço por quem acredita nisso. 



Portanto, meus desejos de um feliz Natal para todos, de qualquer religião, para os que não têm religião e também para os que não creem em Deus. Porque, para celebrar o Natal, basta crer no amor. 



Fiquem com um trecho de Frei Betto:


"Neste Natal, rogo a Deus ressuscitar a criança escondida em algum recanto de minha memória, a que um dia fui, menino que sabia confiar e, desprovido do pudor do ócio, livre das agruras do tempo, era capaz de imprimir fantasias coloridas ao lado obscuro da vida.
Quero um Natal de brindes à alegria de viver, hinos à gratidão da fé, odes à inefável magia da amizade. Natal cujo presépio seja o meu próprio coração, no qual o Menino Jesus desfaça laços e faça desabrochar todo o amor que se oculta nos sombrios porões do meu ego."


Link para um belo texto do psicanalista Contardo Calligaris sobre Papai Noel:

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Transgredir é necessário

Ando lendo um livro instigante, que está fazendo cócegas em minhas ideias. Chama-se A alma imoral, do rabino Nilton Bonder. Como se não bastassem as qualidades da obra em si, ela ficou muito conhecida por ter dado origem a um monólogo da atriz e dramaturga Clarice Niskier, que a adaptou para o teatro. Diz o site da peça: "A alma imoral desconstrói e reconstrói conceitos milenares da história da civilização. Conceitos de corpo e alma, certo e errado, traidor e traído, obediência e desobediência". Um livro genial. 

Dele, transcrevo um texto que é meu presente de fim de ano para os amigos deste blog. Que estas palavras impressionem nossa alma e alavanquem nossas promessas de mudanças. 

"O rabi Elimelech certa vez perguntou a seus discípulos: 'Sabem qual é a distância entre o Ocidente e o Oriente?' Diante do silêncio, o rabino prosseguiu: 'Uma simples volta'. 

Transgredir é um processo, e o momento em que nos voltamos para outra direção marca um novo segmento de nossas histórias individuais e coletivas. O corpo e sua moral, por sua vez, percebem esse ato como uma 'desorientação'. No entanto, transgredir é necessário. 

O rabi Bunan (Buber, Late Masters, p. 257) adverte que os 'pecados' que um indivíduo comete não são o pior crime realizado por ele. O verdadeiro grande crime do ser humano é que ele pode dar-se 'uma simples volta' a qualquer momento, mas não o faz. 

Para o rabi Bunan, o problema não é o tempo perdido ou as sandices cometidas no passado, mas o momento de agora, que é uma oportunidade não aproveitada para mudar o curso. Duas coisas ficam comprometidas pela ausência de transgressão: a qualidade de vida e a possibilidade de continuidade. 

A qualidade da vida coletiva é prejudicada cada vez que um indivíduo não exerce todo seu potencial transgressivo. A vida poderia ser melhor, produzir maior satisfação, mas os indivíduos se abstêm de seus direitos e com isso afetam o direito de todos. (...) 

Aquele que não faz uso de todo o potencial de sua vida, de alguma maneira diminui o potencial de todos os demais. Se fôssemos todos mais corajosos e temêssemos menos a possibilidade de sermos perversos, este seria um mundo de menos interdições (...)" 


Que não tenhamos medo da momentânea desorientação e da desarrumação interna que toda transformação provoca. O mundo precisa de mudanças. 

Feliz 2011, galera!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Tour pela inclusão


Neste sábado, dia 4/12, aconteceu uma experiência muito válida em SP. Um grupo de pessoas com e sem deficiência percorreu um trecho da cidade de cadeira de rodas e olhos vendados, a fim de conhecer os desafios pelos quais passam os cadeirantes e os cegos no dia a dia.

O trajeto incluiu viagem de metrô, ônibus e táxi do Parque da Luz até a Av. Paulista.

Compartilho com vcs, pois a reportagem que saiu na TV está muito boa. É claro que há grandes dificuldades que não foram mostradas, como, por exemplo, encontrar um banheiro em que a cadeira de rodas passe pela porta. 

Não é todo mundo que para pra pensar em como se vira uma pessoa quando tem vontade de ir ao banheiro e a cadeira não entra... Isso aconteceu comigo ontem, em um evento no salão da sede campestre do Cruzeiro Esporte Clube, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Nenhum banheiro adaptado, nem mesmo um em que pelo menos a porta fosse um pouco mais larga e desse passagem a uma cadeira de rodas!

A gente torce para que as coisas continuem mudando e um dia não precisemos mais passar por essa situação. Espero que esse dia chegue logo, contando com os protestos das pessoas com deficiência e a solidariedade das demais. Solidariedade inteligente, porque, afinal, qualquer um pode enfrentar uma deficiência a qualquer momento, permanente ou temporária, vindo a necessitar de coisas muito simples como um banheiro com a porta mais larga...





sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Adeus ano velho

Fim de ano, momento de balanços e planejamentos. Angústias de uns, porque não foi possível cumprir o que haviam definido como meta; alegria de outros, porque o ano foi um sucesso. Indiferença de muitos, ainda perdidos no rio da vida, eternamente seguindo a corrente que leva sabe-se lá para onde... 

Diante desse final de ciclo, também eu estou predisposta a avaliar o ano e refletir sobre minhas atitudes, meus comportamentos, minha passividade diante de certas circunstâncias que me despertam o medo e a insegurança, minha ansiedade evocada pelas situações que fogem ao meu controle. Também eu estou pronta não a fazer lista de boas intenções para depois arquivá-las numa gaveta, como diria Drummond. Mas a planejar a próxima etapa, de forma a organizar os pensamentos, as ideias, concentrar as energias e não desperdiçar oportunidades. Melhor ainda: observar o fluxo da minha vida, meus desejos, as circunstâncias e decidir com base nas possibilidades que se apresentam, assim como respeitando as intuições, o feeling... 

Dito isso, diante dos 11 meses que se passaram, sou honesta com a vida. Preciso fazer a ela um agradecimento. É claro que desejos não me faltam; entusiasmo sobra. Quero crescer cada vez mais, há muito espaço em mim para preencher de beleza. E, como disse Adélia Prado, para o desejo do meu coração o mar é uma gota

Porém, independentemente disso, sou profundamente grata à vida por todas as experiências que invadiram meu ano de 2010. Perdas, amor, surpresas, atritos, afeições, novas pessoas, velhas pessoas renovadas, sensações, poesia, amparo do Alto, confiança, desapego. A vida entrou em meus poros de todas as formas e hoje cheguei à conclusão, conversando com Alcione, de que não preciso de nada. Tudo, agora, é acréscimo de misericórdia. 

Não, não sou rica (pelo menos não de dinheiro), tenho inúmeros problemas de saúde e enfrento dezenas de desafios todas as semanas. Mesmo assim, permitam-me ser grata. Tudo que vivo faz de mim a pessoa que sou. 

Compartilho com vcs dois belos poemas que me seguem faz anos, mas que só agora tomam, para mim, pleno sentido, porque não me falam só ao intelecto. Estão inscritos em mim como tatuagem.



“E então eu peço... pela minha simplicidade. 
E agradeço ao vento que faz dançar minhas cortinas.
E ao tempo que me permite existir neste exato momento.
Peço que nunca lamente o que podia ter e que se perdeu por caminhos errados, e agradeço pelas minhas coisas humildes, minha casa pobre, a chuva no telhado, o feixe de lenha sob o fogão de taipa, que acende durante a noite o fogo alegre da minha casa…”
(Desconheço a autoria)

Um quase nada basta

Quão belo e fácil construir ventura,
Fruir da existência encantos e alegria!
Basta, na vida caseira, dia a dia,
Recolher o prazer de cada conjuntura,
Sem loucas ambições nem vã filosofia.

Eis tudo (… e é quase nada!):
Dispor de uma sala aconchegada
E o conforto da cadeira, ao lado do fogão;
À nossa frente, uma hora de lazer
E, mesmo ali, à mão,
Esse livro tão lindo, que adoramos ler.

Não será isso bastante?
Olha, assomando à janela, essa nesga de beleza:
O canto do relvado, ervinhas, um ramo verdejante.
O passadio sóbrio, pedido à natureza:
Ovos, fruta, leite fresco, umas torradas
Com a xícara de chá. E, reservadas
Pra o inverno, umas peças de agasalho,
Botas fortes, de arrostar com o temporal,
A velha arca, provida de bragal,
E um modesto leito ao termo do trabalho.

Alguém ousaria pedir mais?
Vem relembrar, Senhor, essa arte tão esquecida,
— O jeito de tirar satisfação da vida —
Mesmo ao mais indigente dos mortais:
O cobiçado dom de grandes e pequenos,
De saber desfrutar as coisas de somenos
E amar os prazeres simples e banais.
(Escrito por monges portugueses. Ficarei devendo o nome do livro onde encontrei este belo poema.)
Atualização em 31/12/2010: Extraído do livro Luz para hoje. Editorial Franciscana. Tradução de A. Vaz Mota do inglês Light for today. Sem menção de autoria.



domingo, 28 de novembro de 2010

A vida não é só isso que se vê*

Alcione me encaminhou um e-mail contendo frases de uma campanha publicitária do Citibank em SP. Dei uma googlada e confirmei que o fato é verídico: foi mesmo uma campanha desse banco, à época em que outdoors ainda podiam ser vistos em Sampa.


As frases são poderosas e merecem uma paradinha para reflexão. Particularmente se vcs, como eu, vivem o cotidiano em alta velocidade, achando que assim é possível esticar o dia ou abraçar o mundo com as pernas.
De qualquer modo, ainda consigo ir para a varanda nas noites de lua cheia, me envolver com a energia do céu iluminado (como disse Gil, se o luar existe só pra ser visto, se a gente não vê não há). E receber amigos para um vinho ou um chá... sair com eles para um cinema, viajar com quem eu amo, visitar minha mãe, mimar Gabriel. Pensando bem, tenho salvação. 
E você, me conte: como anda sua vida?

Crie filhos em vez de herdeiros.
Dinheiro só chama dinheiro, não chama para um cineminha, nem para tomar um sorvete.
Não deixe que o trabalho sobre sua mesa tampe a vista da janela. 
Não é justo fazer declarações anuais ao Fisco e nenhuma para quem você ama.
Para cada almoço de negócios, faça um jantar à luz de velas.
Por que as semanas demoram tanto e os anos passam tão rapidinho? Quantas reuniões foram mesmo esta semana? Reúna os amigos.
Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Mas não se esqueça, vírgulas significam pausas… e quem sabe assim você seja promovido a melhor pai do mundo!
Você pode dar uma festa sem dinheiro. Mas não sem amigos.

(Citibank)
*Atualização em 30/11/2010 - Peguei emprestada uma frase de uma linda canção para dar título a este post. Vamos aos créditos: a letra é de Hermínio Bello de Carvalho, e a música de Paulinho da Viola. Trata-se de Sei lá, Mangueira, uma homenagem ao morro da Mangueira:

Mangueira, teu cenário é uma beleza que a natureza criou
Vista assim do alto mais parece um céu no chão
Sei lá, em Mangueira a poesia feito um mar se alastrou
E a beleza do lugar pra se entender tem que se achar
Que a vida não é só isso que se vê

É um pouco mais, que os olhos não conseguem perceber
E as mãos não ousam tocar e os pés recusam pisar
Sei lá, não sei não sei se toda a beleza de que lhes falo
Sai tão somente do meu coração

Em Mangueira a poesia num sobe-desce constante
Anda descalça ensinando um modo novo da gente viver
De pensar e sonhar, de sofrer

Sei lá não sei / Sei lá não sei não
A Mangueira é tão grande
Que nem cabe explicação

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Voando sem asa, com a Bachiana n° 5


Para interromper um pouco a correria do dia a dia e se revitalizar, envolva-se com as vibrações da belíssima Bachiana n° 5, de Heitor Villa-Lobbos, nesta excelente e tocante interpretação. E voe sem asa, aconselhado por Manoel de Barros: "Poesia é voar fora da asa".




Interpretação:
Amel Brahim Djelloul (soprano - foto) Gautier Capuçon (cello) 
Orchestre Du Violon Sur Le Sable (Les films Jack Febus)











segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Buscando inspiração em Gandhi

Desde adolescente Gandhi me inspira com seus gestos e palavras. Especialmente nos momentos mais desafiadores, quando não me encontro fortalecida o bastante para defender os ideais em que acredito.


Não raras vezes, também falei de Gandhi para evocar novamente o brilho nos olhos de pessoas que lutavam por algum ideal, mas se encontravam desanimadas diante de caminhos que se apresentavam ásperos.


Em certos momentos, olho para a frente e vejo uma longa estrada que deve ser percorrida passo a passo, em um ritmo que nem sempre me agrada, porque aos meus olhos parece lento. E é só quando dou mais um passo que vejo o local em que pisarei no momento seguinte. Em outras ocasiões, me aborreço com resistências que outras pessoas impõem, por sua imaturidade e também por muitas outras razões.


Esta semana Gandhi voltou a me fazer companhia, sussurrando em meus ouvidos palavras de incentivo. Revejo cena a cena o incomparável filme sobre sua vida, magistralmente dirigido por Richard Attenborough e interpretado por Ben Kingsley. Cena a cena, o altivo rapaz que foi para a Inglaterra estudar direito e, ao retornar, resolve trabalhar na África do Sul -- em uma época em que hindus não podiam andar na mesma calçada que cristãos, sob o risco de serem atirados à sarjeta --, vai cedendo lugar a um homem firme, ponderado, compassivo, que vê todas as pessoas como filhas do mesmo Pai. Portanto, merecedoras de igual respeito e das mesmas oportunidades.


Também volta a me acompanhar o livro A magia dos gestos poéticos, escrito por Rubem Alves, como se ele fosse médium de Gandhi. Merece ser lido pela poesia e pela visão que o ilustre escritor, teólogo, educador e psicanalista tem daquele que foi principalmente um grande educador -- de uma nação.


É nesse livro que leio o seguinte trecho, que "registra" reflexões do grande líder político e espiritual da Índia, em um momento crítico, quando massacres aconteciam no país, envolvendo muçulmanos e hindus. São frases que me recordam que o ideal move a vida. Compartilho essa lindeza com vcs, mas especialmente com meus companheirinhos da Diretoria da Casa de Everilda. Que estas palavras possam nos inspirar cotidianamente.


"Voltei a fazer o que eu sempre fizera. Gestos que trouxessem de volta a mansidão...
Fui andar pelas aldeias. Levantava-me às 4 horas da manhã. Conversava e rezava. Acolhia em meus momentos de prece tanto hindus quanto muçulmanos, ou pessoas de quaisquer outras religiões que assim o desejassem. Lia os seus textos sagrados. Eu sabia que a divindade se revela em muitos lugares diferentes... (...) Sei muito bem que aquilo que eu fazia estava longe do realismo político. Eu desejava resultados, é claro. Mas, mesmo que eu soubesse que tudo seria inútil, teria feito as mesmas coisas. Há gestos que não podem ser evitados. Eles brotam do fundo, como se fossem o perfume de uma flor. Era assim que eu sentia aquilo que estava fazendo. Meus gestos não eram métodos para atingir um objetivo. Eram partes do meu próprio ser. Eles não surgiam de uma análise realista da situação. Ao contrário, eu me punha a escutar a minha voz interior, e aquilo que ela dissesse eu tomava como profecia. E assim fui, encontrando forças e esperanças em pequenos sinais de bondade que surgiam aqui e ali, quando hindus e muçulmanos se arrependiam e reencontravam o caminho da amizade."


A magia dos gestos poéticos, Rubem Alves, pp. 108, 109


Tenho esperanças de que chegará o dia em que nossos gestos em busca de um mundo melhor e mais justo serão parte de nosso próprio ser... E serão tão fáceis como respirar.




Atualização em 23/11/2010:


Encontre ótimos textos sobre A atualidade do pensamento gandhiano na página preparada pela Associação Palas Athena:
http://www.comitepaz.org.br/Pensar_Gandhi.htm


Mais textos sobre a construção de uma cultura de paz em:
http://www.comitepaz.org.br/mapa_do_site.htm



domingo, 21 de novembro de 2010

Buenos Aires de cadeira de rodas - Parte 2

O post sobre Buenos Aires está fazendo tanto sucesso que decidi postar mais algumas fotos e comentários sobre a viagem...


Grande parte desse sucesso devo à jornalista brasileira Gisele Teixeira, que mora em Bs As. Ela viu o post e publicou em seu blog um pequeno artigo sobre minhas experiências, e até colou o link para um vídeo do YouTube com uma apresentação de tango em cadeira de rodas. Muito lindo e inspirador! A partir disso, vários leitores dela passaram por aqui... Pelo visto, o blog, que tem o belo e inspirado nome Aquí me quedo, é um tremendo sucesso, e não é para menos, porque ele é bem  interessante e muito útil para quem curte a cidade. Se é o seu caso, não deixe de conferir!


Então, vamos às fotos, enfatizando a bela arquitetura que encontramos em muitas e muitas construções do centro da cidade.


Em primeiro lugar, o belíssimo Banco de La Nación Argentina, cuja sede fica ao lado da Casa Rosada: 






A Catedral Metropolitana também é muito bonita. Fica ao lado da Plaza de Mayo e tem uma rampa na lateral direita, o que permite o acesso de cadeirantes. Independentemente da sua opção religiosa, ela vale uma visita. 





Na Avenida de Mayo, fica o Palácio Barolo, cheio de analogias e referências à Divina comédia, de Dante. Está pertinho do Congresso... Atenção ao horário das visitas guiadas. 






Muito bonito também é o edifício do Congresso, assim como as esculturas dispostas na Plaza de Mayo, em frente. Lamentavelmente, no dia em que lá estivemos, tudo estava muito sujo e mal cuidado: restos de cigarro, papel, etc., formavam uma imagem deprimente cercando um local de tamanha beleza arquitetônica.






E, na esquina da Calle Florida com Avenida Córdoba, encontramos este belo prédio:






Portanto, é necessário atenção ao andar pelo centro de Buenos Aires, para não perder estas maravilhas...


No próximo post, a arquitetura da Recoleta.


(Fotos de Laura Martins e Ulysses Martins)



sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Tempo, compositor de destinos

Cheguei em casa hoje abafada.


Coisas se revolvendo, se movimentando, se deslocando em meu coração. Um aperto sem nome. E eu, que sempre quero explicações para tudo, me vi angustiada por não conseguir perceber a origem desse desconforto.


Foi então que deparei com esta frase da Ana Jácomo, pessoinha bonita que percebe o cotidiano de forma tão lúcida:


"A gente, às vezes, se afoba e se abafa desnecessariamente. Os mais lindos bordados da vida são feitos com os fios de delicadeza que respeitam a sabedoria amorosa do tempo do coração." 
Ana Jácomo


Deus, obrigada por mais esse lembrete! Novamente  havia me esquecido de que a vida tece seus fios mesmo quando não os vejo e não entendo o processo. Posso baixar a bola da ansiedade mais uma vez, respeitando o tempo de que todas as coisas necessitam para acontecerem ou se esclarecerem.


E então me lembrei da frase que a Alcione me revelou certo dia, em que meu coração estava mais abafado que nunca. É de Emmanuel e está no livro Pão nosso. Jamais vou esquecê-la, pois me indicou um novo sentido para os fatos.


"O tempo é o nosso explicador silencioso"


Ah, que mão fechada a minha... Transcrever só uma parte da frase... Vamos a ela completa:


"Aguarda, porém, confiante, a passagem dos dias. O tempo é o nosso explicador silencioso e te revelará ao coração a bondade infinita do Pai que nos restaura a saúde da alma (...)” 
Emmanuel (psicografia de Chico Xavier)


Silenciosamente, vai o tempo tecendo e bordando a colcha da existência. Quando, aguardando um certo tempo, olho de novo, o bordado já faz sentido. Mas esperar é tão difícil. Tentamos negociar com o Senhor Tempo, queremos manipulá-lo, experimentamos "métodos" de fazer os frutos desabrochar prematuramente. 


Quanta ingenuidade na rebeldia! Prossegue o Senhor Tempo ousadamente, pouco se importando com as vãs tentativas de sabotar seu paciente e persistente trabalho.


Por causa disso, hoje estou achando que é mais sábio abrir mão da rebeldia e copiar a atitude que se revela na canção Oração ao tempo, do Caetano:


"Entro num acordo contigo"
Caetano Veloso


É, tempo... Vamos fazer um acordo de paz? Você já me propôs isso há longa data, agora resolvi aceitar...



segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Cócegas na alma

"E a doçura é tanta que faz insuportável cócega na alma. Viver é mágico e inteiramente inexplicável." 
Clarice Lispector


Dias atrás escrevi sobre passar além da dor. Preciso ser honesta o suficiente e compartilhar com vocês que este ano -- paradoxalmente? -- também foi um dos mais felizes dos últimos tempos. Tenho experimentado pequenas e grandes alegrias vindas de fora e de dentro. E de cima... Alegrias que me fazem cócegas por dentro, como se lá houvesse dezenas de borboletas.


"You give me butterflies."


Fotografia de Olivia Bell

Minhas alegrias vêm principalmente do fato de estar apaixonada. Por tanta coisa e por tanta gente! Estou preenchida por Deus, que é o que quer dizer entusiasmada.


Entusiasmo (do grego en + theos, literalmente 'em Deus') originalmente significava inspiração ou possessão por uma entidade divina ou pela presença de Deus. (Wikipédia)




Mas eu seria injusta se deixasse de considerar que a maior parte dessas alegrias me têm sido trazidas pela afeição, pelo carinho, pelas atenções com que me cercam corações queridos. E, em contrapartida, pelo amor e pela ternura com que tenho feito o possível para envolver essas pessoas tão importantes para mim.


Meu carinho a vcs que têm povoado minha vida de doçura. (Sem citar nomes... Os daqui e os de lá. Os de perto e os de longe...)






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