quarta-feira, 6 de junho de 2012

Renovo minha fé na humanidade


Debora e Abujamra. Foto de Jair Magri.

Debora Noal. Você conhece? Eu a conheci hoje. E, ao travar contato com ela, pude renovar minha fé na humanidade.

Ela é psicóloga da instituição Médicos sem Fronteiras e diz que sua missão, ou meta, é aliviar o sofrimento das pessoas.

Viaja pelo mundo e visita os locais mais remotos para auxiliar nos períodos pós-catástrofes naturais ou em situações terríveis promovidas pelo bendito ser humano, como é o caso dos estupros coletivos.

Li uma inspiradora entrevista com ela, feita em 2011 pela excelente jornalista Eliane Brum, na revista Época. E assisti a uma entrevista realizada esta semana, pelo Antonio Abujamra, no programa Provocações, da TV Cultura.

O que posso dizer é que essa moça é impressionante. Humana em todos os sentidos, viva, leve, bonita e cheia de esperança, apesar da convivência com o sofrimento.

Diz ela na entrevista da Eliane: "(...) nunca acho que as coisas vão dar errado. Eu sempre tenho certeza que vai dar certo. Mesmo quando der errado, é porque está dando certo".

Confira as histórias assombrosas que ela tem pra contar. E fique muito mais rico depois de travar contato com Debora.






sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Como é bom voar


Um alívio quando a gente enfrenta os medos – não de forma kamikaze.

Quando a gente enfrenta os medos de uma forma inteligente. Acendendo a luz.

Não é que o medo acabe. É que a gente fica maior que ele e o reconhece como proteção, não como impedimento. Como motivo de aprendizagem, não de recolhimento. Não de paralisia.

Aí, a gente pode experimentar a vida, mesmo que reste medo.

Ele não impede.



“E decidi que a vida logo me daria tudo se eu não deixasse que o medo me apagasse no escuro.” Tiê




“Há uma história persa sobre um jovem que escalou uma montanha; lá no topo havia uma caverna, e dentro dela, uma pérola de grande valor. Mas a pérola estava sob a pata de um dragão tão grande e tão ameaçador que ele não viu chance de pegá-la. Desgostoso, voltou à sua vida comum e sem grandes motivações. Casou-se, constituiu família, trabalhou e, depois, de velho, quando os filhos já haviam saído de casa, viu-se livre novamente e  pensou: ‘Antes de morrer, vou voltar à caverna para ver a pérola mais uma vez. Encontrou o caminho para a caverna, entrou e viu a pérola, linda como sempre. Lá estava ainda o dragão, mas tão encolhido que se reduzira a quase nada. Pôde, então, apanhar a pérola e levá-la. Havia lutado, sem perceber, contra o dragão, uma vida toda, através das coisas práticas da existência diária.”

(Extraído do livro She, de Robert Johnson, pág. 91)

Ajuste as velas, enfrente o medo e... voe!



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

As não-receitas de viver


Se você procura receitas para viver, sinto dizer,
mas elas não existem...

Existe receita de bolo. De assado. De drink.

Viver não tem receita.

Às vezes (muitas vezes!), a gente tem medo e adota “receitas”. Os modos de ser sociais, culturais, familiares. Os jeitos que nos ensinaram as religiões, os professores. Temos medo e vergonha de expressar quem somos. Mas, aí, vem a vida e nos dá uma rasteira, no bom sentido.

O que ela quer mesmo é nos dizer que viver é bem maior que as coisinhas que nos contaram… Não cabe em códigos de conduta. Não cabe em moral, fixada no tempo e no espaço.

Para cada momento, uma decisão, uma escolha. Que precisa ser boa, ser válida em cada circunstância. Ser viável para você, sem causar dano ao outro. Isso, a ética ensina, não a moral.

Como diria Rubem Alves:

Em situações estáveis não é necessário pensar muito. Todas as soluções já estão previstas. Basta repetir e aplicar as receitas herdadas do passado. Receitas são úteis para resolver situações já conhecidas.
Crises são situações em que as receitas que funcionavam no passado deixam de funcionar. Em crises as soluções não são sabidas. As soluções devem ser inventadas.

Se não optarmos pelo jeito de ser das avestruzes,
escondendo a cabeça num buraco qualquer,
um mundo de possibilidades se descortinará.
Pois bem: estou em crise. E acho muito bom! Só que dá trabalho, pois não há receitas para este momento. Será necessário ouvir o que o coração dispõe, o roteiro que ele adivinha para esta nova fase.

Fabrico agora um novo jeito de ser, recheado de coisas antigas que continuam fazendo sentido. Traio o estabelecido e me reinvento. Será Natal dentro de mim, mais do que fora.

As sementes do vir-a-ser botam sua carinha pra fora. São regadas a coragem.

Foi Rosa (genial, sempre) quem descobriu:

O correr da vida embrulha tudo
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem

É preciso ter coragem...

Como nutrição para esta hora, tenho adotado como oração noturna a frase do filósofo Fernando Savater para seu filho:

“(…) tenha confiança. Não em mim, é claro, nem em qualquer sábio, mesmo que seja dos verdadeiros, nem em prefeitos, padres ou policiais. Também não em deuses ou diabos, nem em máquinas, nem em bandeiras. Tenha confiança em si mesmo, na inteligência que lhe permitirá ser melhor do que já é e no instinto de seu amor, que o abrirá para merecer boa companhia.”

Está na pág. 15 do fantástico livro Ética para meu filho. Ele não está dizendo, eu penso, que não se deva nem se possa contar com o outro. Mas que, em última instância, todos os instrumentos para uma vida boa estão dentro de nós mesmos, sem que para isso sejam necessárias as receitas...



P.S: Dica: leia o livro A alma imoral, do rabino Nilton Bonder. E veja o belíssimo monólogo de Clarice Niskier, baseado na obra. Eu lhe garanto que você não vai continuar vendo a vida do mesmo jeito.

Niskier, no indescritível monólogo A alma imoral



Obs.: Imagens do Google. Lamentavelmente não tenho os créditos.

sábado, 10 de setembro de 2011

A paz tem segredos?


Às vezes algo abala nossas estruturas, nos tira do chão, “como o vento de um tufão”.

Tira a nossa paz. Então, temos medo, insegurança.

O castelo de cartas rui. Mas podemos reconstruí-lo, revendo valores. É então que questionaremos o que é efetivamente importante para nós.

Reconstruído o castelo, sem que suspeitássemos vem novamente a paz. Diferente daquela de antes do processo... Estamos mais amadurecidos, agora.


Mas essa paz também é provisória. Porque, depois, o processo recomeça. 


A paz interior é construída com esforço, no cotidiano, minuto a minuto. A paz exterior também.

Para exemplificar, compartilho frases e experiências que demostram como esse processo acontece... 


Fique com a frase do psiquiatra Flávio Gikovate, que copiei de seu Twitter. Curta a música do Gil e pense em cada frase. E aprenda com as incríveis experiências de Ric Elias e de Jill Taylor, nos vídeos abaixo. Ainda bem que essas pessoas compartilham suas vivências conosco!


Grande abraço e muita paz (que vc mesmo construiu)!


“Cada nova idéia que nos penetra irá desorganizar nosso sistema de pensar e derrubá-lo como a um castelo de cartas. Reconstruí-lo é avançar!” @Flavio_Gikovate





Acompanhe Ric Elias contando as 3 coisas que descobriu quando seu avião caiu | Video do TED.com







Jill Bolte Taylor teve uma oportunidade de pesquisa incomum: ela sofreu um grave derrame, e observa enquanto suas funções de movimento, fala e autoconsciência entram em falência, uma a uma. Uma história incrível.







Retratar a paz 
Um rei queria adquirir para o seu palácio um quadro que representasse a paz. Para isso, convocou artistas de diversas partes do mundo e lançou um concurso por meio do qual seria escolhido o tal quadro e premiado o seu autor.
Logo começaram a chegar ao palácio quadros de todo tipo. Uns retratavam a paz através de lindas paisagens com jardins, praias e florestas; outros a representavam através de arco-íris, alvoradas e crepúsculos.
O rei analisou todos os quadros e parou diante de um que retratava uma forte tempestade com nuvens pesadas, redemoinhos de ventos e uma árvore arqueada abrigando, dentro de seu tronco, um pássaro que dormia tranquilamente.
Diante de todos os participantes do concurso, o rei declarou aquele quadro da tempestade o vencedor do concurso. Todos ficaram surpresos, e alguém protestou dizendo: 
- Mas... Majestade! Esse quadro parece ser o único que não retrata a paz!
Nesse momento o rei respondeu com toda a convicção: 
- O pássaro dorme tranqüilamente dentro do tronco apesar da tempestade lá fora. Esta é a maior paz que se pode ter: a paz interior. 
Paz não é a ausência de agitação no ambiente em que vivemos, mas o estado de tranqüilidade interior que cultivamos diante das tempestades da vida. 
Maria Salete A. Silva, Wilma Ruggeri, Jota Lima. Para que minha família se transforme. Título original: Mantenha sempre a calma. p.75. Campinas, SP: Verus Editora. 4ªed. 2003.


A paz não vem ao evitarmos os conflitos. Essa é a paz dos cemitérios e das águas paradas, que permitem a proliferação de moscas.

Paz é construção e vem com a maturidade, aprendendo-se a fazer escolhas.


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